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Carnavalices

por Miss. M, em 06.02.08
É tempo de Carnaval, as pessoas dão largas à imaginação e quase tudo é permitido……
Esta altura do ano traz-me sempre boas recordações, sempre fui adepta de uma boa noite de farra carnavalesca, com uma fatiota a rigor e tudo o resto que a época exige.
Em pequena fazia sempre questão que a minha farda fosse algo bem feminino, nunca nada que não fosse usar um belo vestidito todo pimposo, de preferência côr-de-rosa, brilhante e com adereços a condizer. Não podia faltar nada para que nesse dia eu me transformasse numa princesa das histórias ou numa fada com poderes mágicos.
Já nesses tempos gostava de algo bastante feminino e que não me viessem cá com fatos de palhaço e afins, porque tudo o que não tivesse um vestidinho todo catita não valia.
Com o tempo fui deixando esses fatos para traz, não podemos ser princesas para sempre…
O Carnaval sempre me divertiu bastante, gosto de aproveitar o espírito carnavaleiro sempre que posso, com uma fatiota a rigor e ir para a festarola.
Gosto das festas, quer nos bares e discotecas até aos bailaricos das associações. Nesses dias reina a diversão e a imaginação de todos.
Acho piada ao espírito que ainda se consegue ter nestas alturas aqui nos algarves e em outros locais do nosso país. Confesso que me faz confusão como é que a malta lá da capita não curte o espírito…..talvez porque acham que é demasiado “brejeiro” mas enfim, não irei fazer comentários acerca dessas esquisitices agora.
Mas há uma coisa com a qual eu não posso concordar, que é o facto de o tuga tentar, cada vez mais, fazer do bom Carnaval português um Carnaval cada vez mais “abrasileirado”.
Não há nada mais triste do que ver as nossas catraias em cima dos carros alegóricos, com um frio de rachar, com uns poucos pedacinhos de pano a tentar cobrir as partes intimas a tentar fazer boa figura como se tivessem vivido toda uma vida no Brasil sempre com “samba-no-pé”…..isso é realmente “contra-natura”. Há para todos os gostos, das mais jeitosas até àquelas em que devia ser proibido por lei andarem a chacoalhar o pneu de biquini fio-dental e plumas no rabiosque com uma temperatura de 7º C ao Sol. Não tenho nada contra as pessoas mais cheinhas e com vontade de andarem com pouca roupa na rua….mas daí a presentearem as famílias que se deslocam para assistirem aos desfiles com tal cenário, não me parece que seja o mais correcto. Não quero armara-me em “old-fashion”, mas possas, há limites para tudo.
O nosso Carnaval não devia ser esse, nós não estamos propriamente no Brasil e faz frio! Não digo que os nossos desfiles comecem a ser puritanos uma vez que a moda do samba pegou, mas pelo menos façam melhor figura e não deixem que o nosso Carnaval se transforme por completo numa imitação rasca do Carnaval brasileiro.
Continuem com a critica social, com as partidas, com os mascarados e com a alegria, mas não adoptem por completo tradições que não são nossas…..um sambinha é sempre divertido e também já faz parte da ocasião, mas há que saber integrar e não “avacalhar” o momento.
Bem, já estou para aqui a esticar-me nas apreciações, mas sou obrigada a fazer este reparo.
Para grande tristeza minha este ano não “caranavalei”, o dever de fiel auxiliar dos turistinhas não me permitiu, mas também o Carnaval é sempre que um homem, ou mulher, quiserem! A única diferença é que as máscaras só se usam uma vez no ano…ou talvez não.
Por vezes fico a imaginar se nos pudéssemos mascarar todos os dias de algo diferente, pudéssemos vestir o que realmente estivéssemos a sentir.
Imagino-me a ser uma personagem diferente quase todos os dias, ou então várias ao longo do dia, tal como por vezes é o meu humor.
Teria que levar algum tempo até sair do meu estado “zen” logo pela manhã para que a personagem do dia se revelasse. Talvez o “eu” matinal combinasse com uma túnica oriental e alguns adereços minimalistas para começar o dia, seria uma monja tibetana em estado de pré-nirvana ás primeiras horas dos meus dias
Os meus momentos de trabalho poderiam ter várias personagens: o “eu” Indiana-Jones em busca da ocupação hoteleira perfeita; a Super-Mulher para os meus momentos de glória; “Mrs. Bean” para as situações em que meto a pata na poça; um fato de avestruz com direito a um baldinho de areia para enfiar lá a cabeça para quando bem me apetecesse.
Seria a Cat-Woman para os meus momentos “felinos”; usaria uma vestimenta biabólica com direito a fato de cabedal vermelho, capa e corninhos para quando me apetece ser marota e seria uma feiticeira para fazer feitiços para quando tudo parece correr mal.
Nos momentos cor-de-rosa seria outra vez uma princesa com direito a tiara e tudo; seria uma pirata para quando tudo tem que ser como eu quero e não me apetecesse cumprir regras e, claro, seria por completo a minha macaca quando me aborreço.
Podia ser tantas personagens, era tão mais simples.
Mas como isso não acontece sou o “eu” todos os dias, uns mais caracterizados que outros, mas é isso que acabamos por ser, uma mistura de personagens que nos acompanham ao longo desta vidinha.
Foi Carnaval, espero que não tenham levado a mal!

 

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publicado às 21:58



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